segunda-feira, 30 de novembro de 2009

EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Na última quarta-feira, dia 12 de novembro de 2009, amargamos uma lamentável experiência. Durante a realização de assembléia da Campanha Salarial do SERPRO, em Brasília, o plenário mergulhou numa intensa discussão, onde muitos falavam e poucos ouviam. Entendemos que a campanha atravessa um momento crítico, no qual as expectativas geradas em torno de nossa pauta, até o momento, não foram satisfeitas. Entendemos também que esta insatisfação resvala nos mais diversos aspectos da nossa campanha salarial.. Entendemos que a assembléia é o espaço legítimo para o debate e o livre curso das idéias. No entanto, nunca podemos perder de vista o bom senso, a tolerância e o respeito à integridade das pessoas. Naquele momento, alguns dos presentes esqueceram esses limites e, com duras palavras, agrediram a Representação dos trabalhadores, numa injusta demonstração de falta de clareza política e falta de compromisso com o bom termo da Campanha Salarial e com a organização a longo prazo da categoria. Democracia é, acima de tudo, diálogo e respeito à diversidade das idéias e à sensibilidade das pessoas. Cabe explicitar que a FENADADOS foi convidada a participar da assembléia e que, ao aceitar o convite, acreditava que a pauta seria informes sobre a deliberação do dissídio coletivo nos estados. Infelizmente, o que se viu foi um verdadeiro linchamento moral da federação e parte dos seus dirigentes. Tudo isso seria aceitável se tal atitude não tivesse brotado de representantes dos trabalhadores e principalmente da diretora de saúde da FENADADOS, Sra. Lucia Helena que, em nosso entendimento, teria todo o direito de divergir das idéias ou pessoas, mas não de atacar frontalmente a instituição da qual faz parte. Vale ressaltar a grande trajetória de luta dos trabalhadores de TI para construir essa federação que hoje é a instância maior da categoria.

O que estaria por trás de uma ação dessa natureza?

Estaria o grupo que faz oposição a FENADADOS utilizando a mesma metodologia da extrema direita neoliberal, que primeiro desacreditava as instituições para justificar sua privatização?

Quando a diretora de saúde da FENADADOS, Sra. Lucia Helena, insinua na assembléia que a corrente majoritária da FENADADOS tem ligação e cumplicidade com a direção da empresa, não estaria a Sra. Lúcia Helena tentando esconder sua relação política de longos anos com os atuais diretores do SERPRO Sr. Hugo Miguel e Sr. Dílson José, que sempre pertenceram a sua corrente política?

Qual a real intenção do sindicato do RS quando recorre ao TST, passando por cima dos demais sindicatos que ainda não tinham deliberado sobre o dissídio?

Será que esses trabalhadores e trabalhadoras também não mereciam ser ouvidos numa hora tão decisiva de suas vidas?

O que justificaria tamanho ataque a democracia e ao respeito?

O que faria a Diretora da FENADADOS Sra. Lucia Helena na noite anterior na sede da FENADADOS declarar que tinha sido um equivoco a ação paralela do RS e no dia seguinte exibir orgulhosamente isso como se fosse um troféu de boa conduta? O que pensa os demais diretores do sindicato da Bahia quando a Sra. Lucia Helena declara no comando de campanha que tinha saído da ação paralela do RS e fez questão em comparecer ao TST?

Qual a intenção do sindicato do RS em recorrer a CONLUTAS para ir ao TST ?

Se passou grande parte da campanha condenando o TST por ser a justiça burguesa?
Será que a representante do RS não sabe que o presidente do TST é indicado pelo governo LULA que ela denomina de fascista e corrupto?

Se realmente estivesse preocupada com os trabalhadores não teria respeitado a maioria?

Como se sentem os sindicatos da BA, RS E RJ quando avaliam como péssima a condução da campanha, e não assumiram a coordenação para contribuir com toda a competência que julgam ser característica deles? Será que esse resultado tão desastroso não é reflexo da falta desses sindicatos na coordenação de campanha? Assim sendo poderíamos atribuir esse desastre também a essa omissão?

A forma que o representante da OLT-DF, Sr. Luisinho, conduziu a assembléia, proibindo as pessoas que foram atacadas moralmente inclusive membro da própria OLT-DF, de se defenderem é uma forma desse representante exercer a democracia ou ainda é resquícios da época em que serviu ao projeto neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso, exercendo cargo de gerência no SERPRO?

Por que o Sr. Luisinho foi explicitamente tendencioso a ajudar o grupo de oposição a FENADADOS?

Por que foi questionada a representatividade dos dirigentes?

Será que não foi esclarecido aos presentes que um dirigente representa a categoria e não apenas a empresa onde trabalha?

Se assim o fosse, naquele momento, por que não questionar o Sr. Sá do RS que é dirigente e trabalhador da DATAMEC uma empresa que tem apenas 11 funcionários no estado?

Teria a federação cometido o grande delito do universo em defender o respeito aos trabalhadores e trabalhadoras que naquele momento ainda não tinham deliberado pelo dissídio?

Será que os sindicatos que moveram essa ação paralela teriam feito isso se tivessem responsabilidade como coordenadores? Sabemos que todos nós somos responsáveis pelo resultado da campanha, porém de quem é a responsabilidade direta?

Será que o RS esclareceu aos demais que não existe mediação no TST, a não ser através do dissídio coletivo? E que o dissídio tem que ser aprovado pela maioria dos trabalhadores e trabalhadoras?

Se a representante do sindicato do RS diz que houve uma mediação, onde se encontra a ata que formalizou a referida mediação?

Sendo esses sindicatos tão exigentes em relação à ata na mesa de negociação, chegando a travar uma verdadeira disputa por uma vírgula e ficar até cinco horas para confeccionar uma ata, por que abririam mão de uma ata no TST que comprovariam seu ato heróico? Se realmente tivesse existido uma mediação o próprio TST não faria a ata como é de praxe nas audiências em que a
FENADADOS representa a categoria? Essa ação paralela não seria a porta para o CONLUTAS descentralizar a negociação da FENADADOS prosseguindo assim com seu projeto de desmonte da FENADADOS e o fortalecimento do CONLUTAS? Se o ato heróico do RS tivesse tido sucesso isso não adiantaria a criação de uma nova Federação? A morosidade que o grupo de oposição a FENADADOS canta em verso e prosa como se fosse incompetência, não estaria relacionado à espera do resultado da deliberação dos estados? O que é mais difícil exercer a democracia tentando construir uma saída unicamente coletiva ou reunir um pequeno grupo para devorar os demais?

Quantas dúvidas norteiam nossa campanha! Como respondê-las? Apenas a sabedoria do tempo terá a resposta.

A nós cabe apenas nesse momento direcionarmos nossas energias para juntos concretizarmos o presente, através de um novo contexto político e organizativo, abrindo novas possibilidades de negociação coletiva, tendo a consciência que somente A UNIÃO DOS TRABALHADORES E SUAS REPRESENTAÇÕES, poderá alargar qualquer possibilidade de se lutar, para renovar A ESPERANÇA DA ESPERANÇA. Caso contrário, certamente iremos continuar como estamos, ou seja, aproveitando a campanha salarial para escolhermos o momento exato do ESQUARTEJAMENTO das entidades representativas e seus dirigentes. A FENADADOS continuará trabalhando tendo como princípio o respeito à categoria através do exercício pleno da democracia! Não se cansará de lutar para fortalecer o espírito coletivo, pois esta é a razão da existência de todos que representam uma categoria. O nome ACT, já nos remete a uma reflexão,
nossa luta é coletiva e isso requer respeitar a decisão da maioria. Por fim, as ofensas não nos intimidam, porém, a injustiça nos entristece venha ela de onde vier.

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