terça-feira, 29 de março de 2011

SERPRO UMA HISTÓRIA CONTADA POR NÓS

SERPRO UMA HISTÓRIA CONTADA POR NÓS.



Janeiro de 1982, O SERPRO lança mais um processo seletivo. Uma enorme fila contorna a então 3ª. URO (Unidade regional de operação), em Fortaleza. O lindo dia de sol foi um dos protagonistas, irradiando um imenso calor, que somado a ansiedade da espera, acirrava mais a disputa por uma vaga naquela "imponente Empresa". Para muitos a oportunidade do primeiro emprego. A ausência do concurso público em nada diminuía a tensão daquele momento, afinal, enfrentávamos uma bateria de testes inclusive a tão subjetiva, porém determinante, ENTREVISTA. Ao final da seleção os vitoriosos seguiam rumo à ambientação, nessa época voltada exclusivamente para a atividade das futuras funções. Na ocasião também éramos apresentados às entidades representativas, logo compreendíamos a importância de nos agregarmos à elas, prova disso? o alto percentual de filiação ao Sindicato, Serpros e Ases. Chegada a grande hora, batíamos o ponto em um relógio afixado na parede lateral, na época era o que existia de mais moderno. Hoje com certeza está em algum museu da cidade. Finalmente éramos apresentados aos demais trabalhadores e trabalhadoras. Esses nos recebiam com respeito, viam em nós a figura do jovem que tinha muito a aprender e consequentemente a contribuir. Não quero dizer aqui que não tínhamos nossas diferenças, divergências e conflitos, vivemos tudo isso, porém sempre prevalecia o respeito à integridade das pessoas e das entidades representativas. Assim, passamos pelos grandes desafios, aprendemos e ensinamos, soubemos conviver com nossas diferenças e a partir delas construir uma relação profissional e pessoal, pautada no respeito e solidariedade, que se solidificou ao longo dos tempos.

Vivemos e convivemos com grandes dificuldades nas décadas de 80 e 90. Enfrentamos grandes investidas dos governos que passaram por nós. Sobrevivemos aos dez anos de sucateamento tecnológico e a perda de um dos maiores clientes na época: a CEF (Caixa Econômica Federal). A mudança de perfil da Empresa sem que tivéssemos sido devidamente preparados (à queima roupa!). As constantes ameaças de privatização.

Sempre lutamos! Porém não conseguimos evitar a demissão em massa do nada saudoso presidente Fernando Collor. Vale salientar que nesse período nada generoso jamais tivemos o privilégio de negociar um ACT que contemplasse a inflação do período. Acumulando uma defasagem de quase 100% nos nossos salários e gerando a tão falada perda histórica. Mesmo em meio a todas as dificuldades e adversidades da época respeitávamos nossas entidades representativas e priorizávamos o processo negocial. Jamais defendemos o dissídio coletivo. Mesmo quando tivemos que desmontar nossa greve com 0% de aumento e arcar com o ônus dos descontos dos dias. Essa história de luta, respeito, solidariedade e compreensão da importância do coletivo é que FEZ NASCER O ACT dos trabalhadores(as) do SERPRO. Construímos nossa história dentro da história do SERPRO.SERPRO: UMA HISTÓRIA CONTADA POR NÓS.

Em Fortaleza o sol continua lindo e irradiando um forte calor. A 3ª. URO agora recebe o nome de Regional Fortaleza. Assim o SERPRO chega aos 35 anos, alcança a maturidade e com a exigência do concurso público dá início a um novo tempo. A Empresa publica edital direcionado para técnicos e analistas. Tornando oficial a extinção do cargo de auxiliar.

Vale lembrar que houve concurso também em 84 e 96, porém, com um insignificante número de vagas. Na verdade, foi a política do governo Lula a partir de 2003 que fortaleceu o setor público, com inúmeros concursos em todos os segmentos. Somente no SERPRO, foram gerados mais de 2000 novos postos de trabalho.

Regada a champanhe surge a nova geração do SERPRO. Tecnicamente bem formados e com um egoísmo próprio das novas gerações. Partes desses jovens entram na Empresa estabelecendo um novo perfil: desrespeitando a experiência dos mais velhos, atacando as entidades sindicais, alheios ao esforço de quem preparou a Empresa para recebê-los. Seguem contribuindo para uma profunda mudança de comportamento da direção da Empresa e dos próprios trabalhadores e trabalhadoras. Essa mudança tem reflexo em todos os aspectos principalmente nas atividades sindicais coletivas. O maior exemplo disso é a campanha salarial 2009/2011 que serviu para explicitar a verdadeira colisão entre esses dois tempos. Deparamos-nos com um verdadeiro choque de gerações.

Fazendo uma verdadeira apologia ao dissídio coletivo. Elegendo o TST como instrumento legítimo de luta da classe trabalhadora. Transformando a FENADADOS em uma mera prestadora de serviços a curto prazo. Atacando a entidade e sua história de luta e negando o direito dos dirigentes sindicais de se posicionarem. Parte dos trabalhadores(as) do SERPRO seguiram campanha afora empunhando sua bandeira e com seus discursos polidos e despolitizados propagaram o individualismo, a falta de solidariedade e demonstraram um total desconhecimento da história de luta da categoria. Sem levar em consideração a história da construção do ACT estabeleceram nas assembléias um verdadeiro grito de guerra: “Preferimos perder para o TST! Queremos perder em conjunto!” Tentaram usar o ACT como uma forma de resolver seus problemas individuais, principalmente, os de gratificação. Assim sai de cena a avaliação política e entra o verdadeiro linchamento político e moral das entidades sindicais e seus representantes.

Em meio a tudo isso o SERPRO chega aos seus 45 anos, com uma confusa realidade estabelecida pela fragmentação dos trabalhadores e trabalhadoras tendo seu ponto crítico exatamente no encontro de gerações. A 5ª Empresa de TI da América Latina, tem hoje um verdadeiro loteamento de homens e mulheres: veteranos, novatos, auxiliar, auxiliar em disfunção, técnico com salário defasado, analista injustiçado, PSEs discriminados pelos órgãos, anistiados com salário parado no tempo, aposentados ativos e uma outra recente modalidade - grevistas e não-grevistas. Tudo isso favoreceu a Empresa a reforçar sua política unilateral e desagregadora. Prova disso podemos citar o PGCS.

Precisamos refletir profundamente sobre a importância da TI pública enquanto instrumento indispensável para o desenvolvimento mundial. Estamos inseridos em todas as categorias e ainda não temos a profissão regulamentada por lei. Temos uma cláusula no nosso ACT de grande importância que é a do dia do profissional de informática. Até agora nada fizemos para criar a identificação com a sociedade tão necessária para as nossas lutas. Precisamos ter a compreensão do novo contexto social e político, vivemos numa sociedade que exibe o descartável, individualismo a competição como se fosse conceitos básicos. Temos que fazer a "mea culpa", quando lutamos pelo concurso publico não nos preparamos para efetivamente receber os trabalhadores(as) e compreender o perfil da nova geração. Agora nos resta construir a unidade integrando as gerações pois de nada adianta a experiência de quem construiu a Empresa se não podermos contar com a tecnologia de ponta que a juventude tão bem domina. Então, para corrigir rumos e repensar o futuro é necessário que a direção da Empresa compreenda a importância de valorizar presente e passado e que as entidades sindicais não meçam esforços no sentido de interagir com os trabalhadores(as) de todas as idades e funções não apenas para fortalecer a empresa como um bem público, mas também para integrar O SERPRO DO PASSADO COM O SERPRO DE AGORA.

Telma Dantas- 29 anos de Serpro.



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