domingo, 27 de dezembro de 2009

RETROSPECTIVA 2009

Trabalhadores e Trabalhadoras,


Estamos em contagem regressiva para a chegada de 2010. Nesse instante, cabe-nos, refletir o que significou o ano de 2009 em nossas vidas. Ano que transcorreu entre grandes catástrofes climáticas, vergonhosas revelações de corrupção na política nacional e grandiosas lições do povo brasileiro de como se sobrevive a tudo isso sem perder a fé na vida.


Esse grande desafio chamado 2009, que chegou timidamente como a preparar-se para ser o mais avassalador de todos os anos, nos deixa grandes lições. Seguimos em meio a dificuldades, superações, tristezas, alegrias, grandes perdas, novas vidas, alento e desalento e as mais diversas demonstrações de que os valores éticos e morais caíram em desuso. Cresceu a conscientização dos homens no sentido de salvar o planeta. Será que não está na hora de nos preocuparmos também com que tipo de filhos estamos deixando para cuidar desse planeta no futuro?


2009 trouxe também a mais profunda crise político-financeira do planeta, com ela a maior demonstração de garra do povo Brasileiro, que não apenas sobreviveu à crise como também, usou sua criatividade para encontrar alternativas renovando, assim a esperança da esperança. Esse ano de grandes revelações em todos os aspectos realmente nos remete a uma grande reflexão: CORRIGIR RUMOS E REPENSAR O FUTURO.


Na categoria de TI, não poderia ser diferente, também vivemos grandes e intransponíveis desafios. Trabalhamos muito, procuramos cuidar de todos os seguimentos. Realizamos várias ações dentre elas a Plenária nacional dos Trabalhadores em Empresas particulares; realizamos ações em prol dos trabalhadores e trabalhadoras demitidos no Governo Collor; ações em prol dos trabalhadores e trabalhadoras PSEs; negociamos com a direção da Cobra tecnologia; reformamos nossa página para ampliar as informações; realizamos interlocução com políticos para facilitar nossas ações em determinados situações; realizamos diversas manifestações em Brasília em frente aos Ministérios, nas ruas e onde achamos que poderíamos passar para a sociedade nossa importância.


Porém, nosso maior tempo e energia foram destinados à campanha salarial da Empresas Estatais de TI: SERPRO e DATAPREV. A campanha unificada desse segmento da nossa categoria teve seu início em fevereiro nas assembléias estaduais, seguiu na plenária Nacional em Março, onde preparamos a pauta para entregar às Empresas no dia 30 do mesmo mês. As negociações propriamente ditas começaram em Maio, quando sentamos individualmente para negociar pela primeira vez, com as duas Empresas. As negociações transcorreram com grandes dificuldades no âmbito das duas estatais. Porém no SERPRO se configurou uma verdadeira saga. A começar pela assinatura do pré-acordo que de um ato simples, passou a um verdadeiro confronto, onde a postura da direção do SERPRO já demonstrou o verdadeiro grau de dificuldade que teríamos ao longo da campanha. Dando continuidade as suas estratégias de enfrentamento o SERPRO reforça sua comissão de negociação composta por ex-sindicalistas. Isso só reafirma a intenção da direção da empresa em disputar com o movimento sindical o coração e mente dos trabalhadores e trabalhadoras. Esse formato de mesa só e unicamente com viés político, somado ao descaso do governo Federal e a intransigência dos demais membros da diretoria da empresa e atual fragmentação de trabalhadores existente nas empresas nos remeteu a uma verdadeira rota de colisão, não apenas acirrando os ânimos como também provocando uma verdadeira mudança de comportamento dos dirigentes sindicais e suas bases.


Nesse clima de guerra e faltando apenas cinco meses para a próxima data-base o desdobramento das negociações do SERPRO não poderia ser outro senão remetê-la ao TST. Mesmo não tendo chegado ao final essa campanha já nos deixa grandes lições. Nós que tanto lutamos pela independência, para construção de nosso ACT, hoje preferimos depender de terceiros para concluirmos nossas negociações. Criticamos a morosidade e muitas vezes o resultado do julgamento da justiça, mesmo assim a ela entregamos o resultado da nossa vida profissional (ACT). Muitas vezes criticamos por não termos oportunidade de sermos ouvidos, esquecemos de lembrar que no TST o trabalhador é impedido de expressar uma única palavra em sua defesa. Fizemos a segunda maior greve da história do SERPRO no que se refere ao tempo, no entanto, nunca estivemos tão fragilizados. Condenamos a conduta da empresa quando usou a fragmentação dos trabalhadores contra nós, estabelecendo um PGCS apenas para 30% do corpo funcional, no entanto, criamos outra modalidade, os grevistas e não-grevistas. Não conhecemos a história das nossas instituições, porém, o que mais importa é destruí-las e não conhecê-las. Exigimos respeito da empresa, mas não temos o menor respeito com os trabalhadores e trabalhadoras que estão a frente do movimento nos representando. Muitas vezes escrevemos notas com palavrões tão desrespeitosos e horríveis que, qualquer pessoa fora da nossa categoria que tivesse acesso com certeza perderia o respeito por nós. Vimos de tudo nesta campanha: diretores da FENADADOS destruindo o nome da instituição; o grupo de oposição à FENADADOS usando o momento para desrespeitar a maioria; trabalhador sem reconhecer seus verdadeiros adversários; trabalhador contra suas instituições representativas. Por fim, o mais lamentável: trabalhador contra trabalhador. Essa campanha tão difícil que tem seu final fora do alcance de nossas mãos nos faz pensar e repensar o verdadeiro sentido de nossa luta.


Que em 2010 nós saibamos refletir sobre os erros para construir a unidade e o fortalecimento da categoria de TI. Que consigamos ser homens e mulheres olhando um grande espelho e se reconhecendo como iguais nas nossas diferenças.


Telma Dantas.

Diretora de Formação da FENADADOS

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